Checklist para comprar carro usado
Comprar um usado bem é conferir três coisas, nesta ordem: a situação legal do veículo, o estado do próprio carro e o preço. Este checklist segue essa ordem, do anúncio até a transferência no Detran, e termina com um resumo para levar no celular.
Antes de ir ver o carro
- Compare o preço do anúncio com a Tabela FIPE do modelo e ano e com anúncios parecidos. Muito abaixo, sem motivo claro, é o primeiro sinal de alerta.
- Peça a placa e confira se marca, modelo, ano e cor batem com o anúncio. A consulta grátis por placa mostra esses dados e o valor FIPE do mês em segundos.
- Com a placa você também faz as consultas gratuitas de roubo e furto, no portal gov.br, e de débitos, no Detran do estado.
- Pergunte quantos donos o carro teve, por que está sendo vendido e se tem manual e notas de revisão.
- Marque a visita de dia, num lugar movimentado, e leve alguém junto.
Documentos e situação legal
- Peça o CRLV e confira se o nome do vendedor é o do documento.
- Leia o campo de observações do documento: anotações de dano de média monta, remarcação de chassi e veículo recuperado de roubo aparecem ali.
- Consulte débitos, multas e restrições no site do Detran do estado do veículo.
- Se o carro for financiado, veja o que é gravame e como consultar antes de negociar.
- Consulte o chassi no site do fabricante para ver se há recall pendente.
O que não está em nenhuma consulta pública, como passagem por leilão e indício de sinistro em seguradora, aparece em relatórios pagos. O laudo completo do Histórico Carro reúne esses itens com gravame, restrições e recall.
Identificação do veículo
O chassi do documento tem de bater com o gravado no veículo. Pela Resolução Contran nº 24/1998, o número completo fica no chassi ou monobloco, e os últimos caracteres também ficam gravados em pontos como a coluna da porta, o compartimento do motor e os vidros.
Gravação raspada, diferente ou com sinal de remarcação é motivo para parar e procurar o Detran. É essa conferência que pega o carro clonado: placa de um carro legal num carro roubado do mesmo modelo.
O carro
- Vistoria cautelar: identifica reparos estruturais, repintura e troca de peças de identificação.
- Mecânico de confiança: motor, câmbio, suspensão, freios e sinais de vazamento.
- Manual e notas de revisão: mostram se a manutenção seguiu o plano do fabricante.
- Pneus: desgaste irregular pode indicar problema de alinhamento ou de suspensão.
Por fora e por dentro
- Diferença de tom entre peças, vãos desiguais entre portas e capô e marcas de ferramenta em parafusos indicam reparo.
- Ferrugem em soleiras, caixas de roda e assoalho custa caro para resolver.
- Barro sob os carpetes, cheiro de mofo e ferrugem nos trilhos dos bancos podem indicar enchente.
- Desgaste de volante, pedais e banco do motorista muito maior do que a quilometragem sugere merece pergunta.
- Teste todos os comandos: vidros, travas, ar-condicionado, luzes, buzina e painel sem luzes de alerta acesas.
No teste na rua
- Ligue o motor frio: fumaça azul ou barulho de batida metálica são sinais de problema sério.
- No câmbio manual, a embreagem não deve patinar nem pegar só no fim do curso; no automático, as trocas devem ser suaves.
- Em linha reta, o carro não deve puxar para um lado; numa frenagem firme, não deve trepidar nem desviar.
- Em lombadas e buracos, barulhos secos indicam folga na suspensão.
Se encontrar sinais de batida ou de enchente, veja como verificar se o carro tem sinistro. Preço muito baixo e documento com anotação podem indicar carro de leilão.
Preço e custo
Compare o preço pedido com a Tabela FIPE e com anúncios parecidos na sua região. A FIPE é o preço médio de referência: quilometragem alta, estado ruim ou histórico de sinistro e leilão justificam um valor abaixo dela; revisões em dia e pouca rodagem, um valor um pouco acima.
Antes de fechar, some os custos que vêm junto com o carro: transferência, vistoria, IPVA do seu estado, seguro e a primeira revisão. Um carro barato que pede embreagem e pneus logo na compra pode sair mais caro que outro anunciado pela FIPE.
Na hora de fechar
- A venda é registrada com a autorização para transferência (ATPV-e, na maioria dos estados), preenchida com os dados do comprador. Pelo Código de Trânsito (art. 123, § 1º), quem compra tem 30 dias para transferir o veículo para o próprio nome.
- Muitos Detrans exigem vistoria de transferência. Faça logo: ela também é uma última conferência de identificação.
- Pague ao dono que está no documento, por transferência identificada, e guarde o comprovante e o recibo.
- Se houver financiamento, quite o saldo direto com o banco antes da transferência.
Golpes mais comuns
- Intermediário falso. Alguém copia o anúncio de um carro real, combina com o dono como se fosse comprador e com você como se fosse vendedor, e pede o pagamento na conta dele. Converse com o dono do documento e pague só a ele.
- Pressa e sinal. "Tem outro interessado, só segura com um sinal." Não pague sinal antes de ver o carro e o documento.
- Carro clonado. Placa de um carro legal num carro roubado do mesmo modelo. A conferência do chassi e das gravações dos vidros com o documento é o que pega esse golpe.
Resumo para levar no celular
- Preço comparado com a FIPE e com anúncios parecidos.
- Documento no nome do vendedor, campo de observações lido, débitos e restrições consultados no Detran.
- Consultas gratuitas de roubo e furto e de recall feitas.
- Chassi e gravações dos vidros iguais ao documento.
- Vistoria cautelar e mecânico de confiança.
- Teste na rua com o motor frio.
- Financiamento quitado direto no banco, se houver.
- Pagamento só ao dono do documento, com recibo, e transferência em até 30 dias.
Vai comprar este carro?
Antes de dar o sinal, veja o que a consulta grátis não mostra
- Leilão
- Indício de sinistro
- Roubo e furto
- Gravame/alienação
- Débitos e multas
- Restrição judicial
- Recall pendente
- Nº de proprietários
Perguntas frequentes
Vale a pena pagar uma vistoria cautelar?
Ela mostra o que o documento não mostra, como reparos na estrutura e troca de peças com identificação. Compare o preço da vistoria com o valor do carro e com o custo de um problema escondido.
Quanto abaixo da Tabela FIPE é preço bom demais?
Não há um número fixo: quilometragem, estado, versão e região mudam o valor. Mas um carro muito abaixo dos anúncios parecidos e da FIPE, sem um motivo que o vendedor explique e comprove, costuma esconder sinistro, leilão, dívida ou golpe. Nesse caso, a vistoria e as consultas viram obrigação.
O que a consulta grátis por placa mostra?
Marca, modelo, ano de fabricação e modelo, cor, combustível, cidade, o final do chassi e o valor da Tabela FIPE do mês, além do IPVA estimado nos estados que já conferimos. Dados do proprietário nunca aparecem.