Como saber se um carro é de leilão
Carro de leilão não é, por si só, carro com problema. O que pesa é a origem dele, e é justamente essa informação que o vendedor nem sempre conta. Veja de onde esses carros vêm, como desconfiar e o que conferir antes de pagar.
De onde vêm os carros de leilão
Um carro chega a leilão por caminhos bem diferentes, e cada um conta uma história diferente sobre o estado dele.
- Pátios de órgãos de trânsito. Pelo Código de Trânsito Brasileiro (art. 328), o veículo apreendido ou removido e não reclamado pelo dono em 60 dias é avaliado e levado a leilão. Ele é classificado como "conservado", quando tem condições de trafegar, ou "sucata", quando não tem. O leiloado como sucata não pode voltar a circular.
- Seguradoras. Veículos indenizados: perda total depois de batida, enchente ou incêndio, ou carro roubado que foi encontrado depois de a seguradora pagar o dono.
- Bancos e financeiras. Veículos retomados por falta de pagamento do financiamento.
- Empresas e órgãos públicos. Renovação de frota, com carros que costumam ter muita quilometragem, mas manutenção registrada.
O carro de frota e o retomado por banco tendem a ser os menos arriscados. O de seguradora é o que mais pede atenção, porque o motivo da indenização muda tudo.
Leilão de seguradora: o que o lote quer dizer
Quando a seguradora indeniza um carro, ele passa a ser dela e costuma ir a leilão. O edital descreve o lote: há carros com dano pequeno, carros recuperados de roubo quase intactos e carros muito danificados, que só servem para peças. Os que podem voltar a circular saem com documento; os de dano de grande monta têm o registro baixado e não voltam à rua.
Leia a descrição do lote e as fotos com atenção e não confie só no apelido do lote. "Pequena monta", "média monta" e "recuperado de roubo" são situações muito diferentes, com custos de conserto e de seguro muito diferentes. Para entender a classificação de danos, veja como verificar se o carro tem sinistro.
Como desconfiar que o carro do anúncio veio de leilão
Nenhum destes sinais prova a origem, mas qualquer um deles justifica pedir o histórico por escrito antes de pagar:
- preço bem abaixo de anúncios parecidos e da Tabela FIPE, sem explicação clara;
- vendedor que evita falar da origem, ou que diz que o carro "veio de seguradora" sem mostrar a nota de arrematação;
- anotações no campo de observações do documento, como o número de um Certificado de Segurança Veicular (CSV);
- sinais de reparo estrutural, de pintura em várias peças ou de alagamento;
- cotação de seguro recusada ou muito mais cara do que a de um carro igual.
A cotação de seguro é um teste simples e gratuito: com a placa ou o chassi, a seguradora já mostra se aceita o carro e por quanto. Recusa ou preço fora da curva é um aviso.
O que conferir antes de comprar
- Documento. Leia inteiro o campo de observações do CRLV. Veículos que tiveram dano de média monta, por exemplo, trazem ali o número do CSV, emitido depois do conserto e da inspeção.
- Edital e nota de arrematação. Peça ao vendedor. O edital diz em que condição o veículo foi leiloado e se havia alguma restrição.
- Gravações do chassi. Confira se o número do documento é o mesmo gravado na carroceria e nos vidros. Gravação raspada ou diferente é motivo para parar a negociação.
- Roubo e furto. Faça a consulta gratuita de restrição de roubo e furto no portal gov.br, com a placa.
- Vistoria e mecânico. Uma vistoria cautelar e a avaliação de um mecânico de confiança mostram reparos estruturais que o documento não mostra.
Existe consulta oficial de "passagem por leilão"?
Não. O governo não oferece uma consulta pública e gratuita que diga se um veículo passou por leilão. Essa informação está com leiloeiros e com empresas que reúnem dados deles, e aparece em relatórios pagos.
O laudo completo do Histórico Carro inclui a checagem de passagem por leilão, junto com indício de sinistro, roubo e furto, gravame e restrições. Antes de pedir, veja no exemplo de laudo o que ele mostra. Qualquer que seja o relatório, lembre que a ausência de registro não prova que o carro nunca foi a leilão: confira também os pontos acima.
Comprando direto no leilão
- Leia o edital inteiro. Ele diz em que estado o veículo é vendido, quais débitos ficam com quem arremata, o prazo para retirar o carro e as taxas cobradas além do lance, como a comissão do leiloeiro e as despesas de pátio.
- Visite o lote. A maioria dos leilões tem dias de visitação. Ver o carro de perto vale mais que qualquer foto. Normalmente não dá para dar partida nem levar um mecânico para testar, então conte com o pior cenário para motor e câmbio.
- Confirme o leiloeiro. Leiloeiro oficial é matriculado na Junta Comercial do estado. Desconfie de site de leilão que só aceita pagamento por Pix para pessoa física ou que pressiona por pagamento imediato fora do processo do edital.
- Some tudo. Lance, comissão, taxas, transporte, regularização no Detran e o conserto. Compare o total com o preço do mesmo carro na Tabela FIPE e em anúncios: a vantagem do leilão some rápido quando o conserto é grande.
Os papéis que você precisa ter
Ao comprar no leilão, guarde o edital, a nota de venda emitida pelo leiloeiro e os comprovantes de pagamento do lance e das taxas. São eles que provam a origem do veículo e permitem o registro em seu nome no Detran.
Ao comprar de um revendedor um carro que passou por leilão, peça cópia desses mesmos papéis. Um vendedor que não tem ou não quer mostrar a nota de arrematação está escondendo justamente a informação que muda o preço do carro. Depois da compra, faça a transferência dentro do prazo de 30 dias (Código de Trânsito, art. 123) e confira se o documento novo saiu com as mesmas anotações do anterior.
Vale a pena comprar carro de leilão?
Pode valer para quem sabe avaliar o estado do carro, não pretende revender logo e já confirmou que consegue seguro. O preço de compra costuma ser menor, mas a revenda também é: o histórico de leilão acompanha o veículo, e muita gente evita comprar ou paga menos por isso.
Para quem procura o primeiro carro, sem possibilidade de vistoria e sem margem para um conserto inesperado, o risco costuma ser maior que a economia. Nesses casos, um carro de origem conhecida, com preço na média da FIPE, sai mais barato no fim das contas.
Vai comprar este carro?
Antes de dar o sinal, veja o que a consulta grátis não mostra
- Leilão
- Indício de sinistro
- Roubo e furto
- Gravame/alienação
- Débitos e multas
- Restrição judicial
- Recall pendente
- Nº de proprietários
Perguntas frequentes
Ter passado por leilão muda alguma coisa depois da compra?
Pode mudar a revenda e as condições de seguro e financiamento, porque seguradoras e bancos têm regras próprias para esses veículos. Pergunte antes de comprar se você vai precisar de seguro ou financiamento.
Veículo leiloado como sucata pode voltar a rodar?
Não. O Código de Trânsito proíbe o retorno à circulação do veículo leiloado como sucata (art. 328, § 4º).
A consulta grátis por placa mostra se o carro é de leilão?
Não. A consulta grátis mostra marca, modelo, ano, cor, cidade e o valor da Tabela FIPE. Passagem por leilão está no laudo completo, que é pago.